1992
Começavam os quatros anos do curso de Química.
Muitos professores dessa época marcaram-me profundamente e são recorrentes em minhas lembranças: Alice, Célia e Tânia (Português, Literatura e Redação), Dácio Camerino (Física), Bernadete e Natalício (Matemática), Roberto Nobre (Química Orgânica) e Selma (Fisicoquímica).
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Um nerd!
Foram quatro anos de Escola Técnica. Quatro anos sendo considerado nerd ou CDF. E o visual nerd e CDF ajudava: cabelo comprido e bigode. Argh!
Detalhe (ainda vou arrepender-me de colocar isto aqui!): passei todos os quatro anos da Escola Técnica sem namorar. Aliás, passei toda a infância e adolescência sem namorar! Os amigos acusavam o cabelo comprido e o bigode, recomendando que eu raspasse ambos.
Mas quando chegava em casa com meu visual nerd-cabelo-bigode, mamãe dizia “Tá lindo, meu filho! Uma beleza”! E eu inventava de acreditar em mamãe...
Uma das pérolas do ano: um colega da sala disse que ia passar a estudar, que ia “meter a cara” nos livros, que ia começar a levar as lições mais a sério. A garota que eu paquerava foi taxativa: “Vai ficar doido que nem o Edvo”!
Um dia quase me dei bem! Professora Alice recomendou o filme Perfume de Mulher e eu convidei uma amiga para assisti-lo no cinema. (De novo: ainda vou arrepender-me de colocar isto aqui!) Chegando à sala escura, ela se atracou com a mochila e assim permaneceu das cenas iniciais até os créditos!
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Uma turma inesquecível
A turma tinha muita gente inteligente. Altina sempre foi culta e contestadora desde os primeiros dias; ainda naquele primeiro ano, tornou-se monitora de Química. Simplício e Wlisses confrontavam-se em Matemática, em Física e até no xadrez. Emanuel Messias também era imbatível nas exatas. As gêmeas Ângela e Elaine faziam bonito em Português e Literatura, em Biologia e Sociais. Bartolomeu era muito bom em Química. Dorcivan era um dos xodós da temida Professora Alice. Ivoneide se dava bem em tudo que era disciplina.
Uma vez, Wlisses falou que daria a cara à tapa se alguém resolvesse uma questão de Física. Metade da sala correu para tentar resolver a bendita questão.
E sabe de uma coisa? Eram todos uns nerds e apenas eu levava a fama, só por causa de meu visual nerd-cabelo-bigode!
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A turma sempre procurava fugir do lugar-comum. Nos trabalhos de final de ano da Professora Alice, todas as equipes montaram cenários, cantaram músicas, encenaram peças... Simplício até tocou saxofone. A equipe que eu participava falou de Literatura Informativa: fizemos um telejornal e encenamos uma entrevista fictícia com Padre José de Anchieta.
O Padre José de Anchieta era eu. Começou minha paixão pelo teatro.

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