1993
( Parênteses )a) Lendo o ano de 1992, Jarlene Regina Batista – gerente de agência dos Correios e ex-aluna do Curso de Química – me perguntou pela Professora Josinete!
Obrigado pela lembrança, JRB! Josinete foi minha professora de Metodologia na ETFAL, foi responsável pelo primeiro 4,5* que tirei na minha vida (!!!) e ensinou-me a ser rigoroso com relação a padrões. Até hoje escrevo as horas com "h" minúsculo por causa dela. Agora são 16h.
*Foi a primeira nota baixa de minha vida! Pensem no choque. Infelizmente, não foi a última: tirei até ZERO depois, mas já na faculdade... Assunto para 1995.
b) Thaynara confirmou minhas impressões sobre os professores. Dácio conseguiu fazer com que ela amasse Física (igualzinho a mim); o professor que veio depois fez Thay odiá-la (não tive esse azar). Thay lembrou também o quanto a Professora Selma é especial: uma mulher calma, serena e muito competente.
c) Francilane Caetano (também gerente de agência dos Correios!) pediu que eu colocasse uma foto do tempo do visual nerd-cabelo-comprido-bigode. Não quero espantar gratuitamente nem você nem meus amigos, Franci!
* * *
Foi um grande ano. Papai e eu corríamos 21 Km, feito que nunca mais repetimos. Apesar dos treinos quase diários em atletismo, não garanti uma medalhinha de ouro sequer nas “Olimquímicas” para minha turma! Foi praticamente a maior frustração do ano, apenas superada pelo “amor não-correspondido” de uma garota. (De novo a história de sempre!)
Também houve uma competição de atletismo das escolas públicas do estado. Prova de 1.500 metros. O público fez a festa quando me viu ultrapassar uns cinco corredores já no finalzinho para chegar em segundo lugar. Superação!
Mas era tudo o que eu conseguia no esporte: medalhas de prata.
* * *
Em setembro, completei o período de um ano tirando nota 10,0 em Matemática. E um boletim bimestral veio com 5 notas 10,0 de 6 notas possíveis (a sexta nota era um 6,5 em Química Prática).
Coisa de nerd mesmo: tira nota máxima nas teorias e 6,5 na prática!
* * *
Durante a olimpíada do curso de Química, lá estava eu: suado, de camisa, short, cabelo comprido e bigode – uma visão medonha!
Mas foi exatamente assim que uma garota do primeiro ano de Química me convidou – pasmem! – para dançar quadrilha! Aêêêê!!! Aleluia! Toquem agora o Aleluia de Handel! Aleluia! Aleluia!! Aleluia!!!
Será que o namoro sai desta vez? Sonha, Edvo!
* * *
Foi o ano que passei um mês registrando tudo que me acontecia em borrões. Já aconteceu de reler as memórias e achar que já escrevi melhor.
Vou colocar, sem tirar uma vírgula sequer (apesar da tentação), um texto que escrevi na época, aos 16 anos. A única alteração é o nome da paquera, que substituo por uma fictícia... Mariedja!
“17 de outubro de 1993
Um Novo Começo
No dia 14/08 eu comprava este caderno – portador das minhas primeiras memórias. Note que desde 06/08 eu as escrevo. A explicação é bem simples: os dias vinham sendo anotados em um borrão, geralmente a tarefa feita à hora de dormir, na cama. E demorou a passar a limpo os manuscritos. Terminei hoje, achando que o meu 01/09 não deveria marcar presença cá.
Em 01/09 acabava o gasto borrão. Onde escrever? O presente caderno, à época, deveria conter apenas as primeiras luas de agosto. Resultado: setembro e primeira quinzena de outubro de 1993 permanecerão incógnitos.
Que não se ache que foram dias de grande enfado, não estimulantes para a arte de escrever. Não! Entediante estava falar de “Mariedja”, reescrevê-la mais de um mês depois, quando pretendo colocá-la definitivamente em segundo plano. Acudiu-me até a idéia de não dar continuidade às memórias. Olhava para o vetusto borrão, lia-o e, enfarado, não encontrando beleza nos escritos, errando à toa, pensava em livrar-me do caderno das lidas.
Encontrava-me fora da razão. A importância deste é indiscutível. Como lembraria do gasto com chocolates que tive no início de agosto? E o Edvo do final deste mês falou-me que escreveu o sonho da “Mariedja” para uma boa recordação futuresca. Estava certo. Deveras não lembrava o episódio.
Volto a escrever e com uma diferença: não haverá um intermediário a partir de hoje entre meu cérebro e o caderno valioso que aqui está.
Agora forçarei a mente para que setembro e primeira quinzena de outubro não sejam de todo ignotos.
Edvo Acioli”
Foi a última vez que escrevi no caderno.

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