1996
Foi o ano do NPOR – Núcleo Preparatório dos Oficiais da Reserva – e da dureza do serviço militar. Foi o ano do TLC (Treinamento de Liderança Cristã) e do EJC (Encontro de Jovens com Cristo).
Ontem mesmo, 45 jovens encerraram o XII Encontro de Jovens com Cristo da Jatiúca e “ingressaram na Família EJC”, como gostamos de dizer. Fui uma das 150 pessoas que trabalharam nesse último encontro. Já são 11 anos desde o primeiro EJC. E animação, o entusiasmo, a empolgação se renovam sempre.
De fato, tivemos todos, os 200 que estavam no Colégio Rosalvo Lobo, nosso encontro com Cristo e com os irmãos.
* * *
Vida de Caserna
Costumo dizer que no exército conheci o Frio e o Sono.
Incrível como todo dia de acampamento, fosse inverno ou verão, chovia! Encharcados, de madrugada, no meio do mato, tremíamos! E, mesmo assim, não adoecíamos!
O sono era de tal sorte que, com todo frio, a turma dormia na lama, na grama, no meio de um canavial.
Cheguei a cochilar marchando!
E a sede? Mas noites frias e chuvosas, lembrava-me muito do Edmo, que deveria estar em casa, na cama quentinha e confortável. Se ele tivesse sede, corria para a geladeira e tomaria água geladinha.
Aprendi com meu pai que a água do cantil pertence apenas ao dono do cantil. Não era questão de ser menos cristão: cada um recebia sua cota de água e deveria tomá-la com moderação até o próximo abastecimento.
Que raiva do meu coração mole! Economizava como podia minha água e depois chegava um colega que era o dobro de meu tamanho suplicando-me um gole.
Outra vez, num acampamento, não bebi uma só gota a manhã inteira; estava me provando, superando-me. O cantil cheinho, cheinho. Na hora do almoço, na fila, comecei a atrapalhar-me com o copo, prato, talheres e o cantil repleto d’água. Um aspirante, vendo-me todo atrapalhado, tomou meu cantil e o esvaziou todinho no chão, na minha frente! Ahhh, raiva, ira, cólera!!!
* * *
Éramos quarenta alunos no NPOR. Meu nome de guerra era Rocha. Meu número era 15. Meu bordão era “Que coisa!”. Fui o destaque-disciplina, terminei em quarto lugar e tive o melhor conceito na avaliação dos tenentes, sargentos, cabos e soldados do Núcleo.
Apesar da garra e da fibra que demonstrava na caserna (“O Rocha é uma rocha!”, diziam), em agosto de 96, conversando com o Pereira, que estava de plantão comigo, dizíamos que se houvesse a opção de sair do quartel com as mãos abanando naquele momento, a gente voltaria para casa.
A superação era minha; o orgulho, de meu pai: 22 de agosto, após a cerimônia de formatura do Dia do Soldado, ele se despediu de mim sem conseguir esconder as lágrimas.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home