1999
Em 1999, mais uma prova da dominância da mãe na vida da gente – agora positiva! Estava bastante ansioso porque ia fazer a apresentação de um trabalho. Antes de sair, já na porta de casa, mamãe disse: “Não se preocupe! Sou mais você!”.
Fiz uma boa apresentação naquele dia. Fiz bem as seguintes. E as palavras de minha mãe ecoam até hoje.
Correios – Diretoria Regional de Alagoas
Marcos, Fábio e eu, os três técnicos postais aprovados no concurso e treinados no curso em Recife, começamos a trabalhar nos Correios de Alagoas em 21 de dezembro de 1998.
Ficamos umas duas semanas sem fazer absolutamente nada. Não sabiam sequer o que fazer com a gente. Uma agonia só!
Um de nossos chefes na época, em nossa primeira reunião, soltou a pérola: “Não estamos precisando de técnicos; precisamos é de carteiros!”.
Glup!
Que fiz? Cabeça baixa, cara amarrada, na mesa no meio da sala onde nós três ficávamos plantados, li A Mulher de 30 Anos, de Balzac. E a sensação de inutilidade se apossava de todos.
Fábio Ataíde, mais desenrolado, conversou com um, olhou o trabalho de outro, ofereceu-se para ajudar, e logo estava com trabalho de verdade para fazer. Marcos Mascarenhas, com pouco tempo, também estava cheio de atribuições; era o mais “técnico” de nós.
E eu?!
Bem, tínhamos uma amiga em comum, Margarida Bias, que no começo de 99 resumiu a situação:
– O Fábio é o mais carismático de vocês três, o que se relaciona facilmente com todos. Marcos é o mais racional, o que entende bem dos processos. E você? Você... Você... O que é você, Edvo?!
– Glup! Bem... Eu... Eu... Eu sou disciplinado... É... Sou interessado por qualidade, organização...
– Que bonitinho! Defendendo-se! Dou valor...
Não havia objetivos, não me sentia valorizado. Naqueles primeiros meses, não me encontrei como profissional nos Correios.
Até que...
...O Gerente de Operações me indicou para ir em seu lugar a Fortaleza participar de uma reunião sobre... Aleitamento materno! Projeto Carteiro Amigo, sucesso no Ceará desde 1996: os carteiros divulgavam os benefícios do aleitamento materno nas casas que visitavam, contribuindo para a redução da mortalidade infantil.
Coordenei, junto com os amigos Carlos Gonçalves (Assessor de Comunicação) e Socorro Lobo (Assistente Social), o Projeto Carteiro Amigo em Alagoas. Foi a primeira tarefa de responsabilidade que me passaram.
Começaram, então, a chamar-me de “embaixador social”. Era responsável por ir às unidades operacionais falar de diversos assuntos da Gerência de Recursos Humanos. Com a amiga Marilane Miranda, Chefe de Relações de Trabalho na época, fui um dos responsáveis pelas festas e eventos da área de operações durante três anos.
Finalmente, tinha me encontrado nos Correios! Mas o melhor ainda estava por vir.

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