30 ANOS em 30 DIAS!

Descrição de cada ano de minha vida dia-a-dia, antecedendo a festa dos 30 ANOS!!!

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Location: Maceió, Alagoas

Thursday, May 31, 2007

1985

Interessante! Quando puxo pela memória, pouca coisa vem à mente sobre 1985.

A segunda série trazia um novo desafio: a correção era feita pelos próprios alunos. A professora ditava as respostas detrás do birô e a gente consertava o dever no caderno. Sentia-me inseguro e achava tudo aquilo muito difícil.

O mano e eu lanchávamos sempre juntos. Um dia, fomos flagrados por mamãe na hora do recreio, numa visita surpresa. Ela se emocionou ao ver que cada um tinha sua turma, mas na hora do lanche, partilhávamos juntos.

Será que o menino certinho e queridinho da professora era capaz de transgredir? Não resisti e assobiei no meio da aula num momento de silêncio. Todos procuraram o infrator. Professora Albany fitou-me bem séria, mostrando saber que tinha sido eu, mas não me expôs. Tremi e não voltei a “transgredir”.

Wednesday, May 30, 2007

1984

O ano teve Paola, no Colégio Sensório. Ainda hoje tenho impressão de que foi uma das meninas mais bonitas que conheci! E tínhamos, Paola e eu, entre seis, sete anos!

Foi o ano do único furto de minha vida! Cem cruzeiros ou um saquinho de pipoca que um colega compraria, se não tivesse sido furtado. Queria aquela pipoca também!

– O colégio dá lanche pra vocês – dizia papai. Não comam porcaria!

Dava mesmo: biscoito e leite. Nada se comparava à pipoca amanteigada do carrinho em frente ao colégio.

Então, furtei!

Ninguém desconfiava de mim. Todos procuravam o lalau. Eu, nervoso, corri para o playground e enterrei a nota na areia.

Foi a última vez que a vi.

Foi um ano de traumas no campo emocional: declarei-me a três meninas em momentos diversos naquele primeiro semestre de 1984. As três choraram. Revoltante: quando outro piscava ou dizia gracejos, elas riam.

Até que – felicidade! – a mais bonita das três me puxa para um canto! O coração disparou. Relembrei o primeiro beijo, roubado um ano antes.

Ela me chamou a um canto e, sussurrando, pediu para... Que eu comprasse uma pipoca pra ela, pois seus pais tinham-na proibido de comer porcaria!

Ah, tá!

* * *

Não sei por qual motivo, no Educandário São Vicente de Paula, uma pequena multidão cercou a mim a ao meu irmão, ambos sentados no meio do pátio. Discutiam qual dos dois era o mais bonito, de qual cada um gostava mais, etc. Estranho!

Quando falou com a direção sobre a mudança de colégio, papai disse que a freira lamentou o fato de nós dois deixarmos o Educandário.

* * *

1ª Série! Primeira nota 10,0! Provei o gostinho de tirar 10,0 e... Aprovei! Festa na escola com a professora. Festa em casa com meus pais. Ganhei uns trocados e comprei o primeiro pacote da Elma Chips de minha vida, com salgadinhos sortidos!

No final do ano, fui o primeiro da turma. Em 08 de dezembro, fiz a Primeira Comunhão. O presente de meu pai foi o terceiro disco do Balão Mágico. Na dedicatória, o desenho de um pódio e a frase “Para sempre o primeiro”.

Tuesday, May 29, 2007

1983


Recife: cidade grande, arborizada, histórica, culta...

Apaixonei-me pela Veneza Brasileira devagarzinho. Com pouco tempo, mesmo sendo uma cidade violenta (fui assaltado duas vezes!), minha mãe me liberou para caminhar em Recife. Conde da Boa Vista, São José, Praça 13 de Maio, Praça do Derby fazem parte do mosaico das imagens que levo comigo.

Recife, para mim, é a cidade dos Anos 80. Ela é indissociável da meninice e dos primeiros anos da adolescência. Recife rima com brincadeiras, gibis, Monteiro Lobato, Tesouro da Juventude, Odyssey e Ferrorama.

Os Anos 80 foram recifenses.

Monday, May 28, 2007

1982


Viajar. A paixão vem de longe. Existe, pelo menos, desde 1982.

Muitas das coisas mais marcantes nesses 30 anos referem-se a viagens. Papai colocava a família toda no carro e a gente cruzava o Brasil na brasília verde-abacate. A primeira foi em 1982, e a emoção por estar viajando já era intensa. Descemos de Crateús, interior do Ceará, até Rancharia, interior de São Paulo. Apenas tangenciamos o estado do Paraná e eu estava, nos meus 5 anos, muito feliz por ter “conhecido” mais um estado do Brasil.

Viajar é bom para refletir e reencontrar-se consigo mesmo. Certa vez, bem pequeno, no banco traseiro do carro, fitava um de meus braços e, admirado, questionava-me como poderia estar/ser vivo.

Passei anos perguntando-me por que papai não fez outras viagens com a gente, mas rodar centenas de quilômetros era muito cansativo. Viagens inesquecíveis e que nunca mais se repetirão.

* * *

A trilha sonora desta primeira viagem: “Você não soube me amar...”, do Blitz. A música tomou conta das rádios enquanto estávamos na estrada.

* * *

O que era a Copa do Mundo em 1982 para mim? Sorvete quando o Brasil ganhava. Papai e mamãe levavam a prole para sorveteria. Era a comemoração.

Que raiva quando a Seleção perdeu, pois papai e mamãe choraram e, o pior de tudo, o mano e eu ficamos sem sorvete!

Sunday, May 27, 2007

1981


Papai fazia sílabas em cartolina. Sentávamos os três: ele, Edmo e eu. Começavam as lições de bê-a-bá.

Valeu a pena o esforço: aos 4 anos, já lia! Edmo lia antes mesmo dos 3 anos!

Papai também fazia músicas didáticas. Elas falavam sobre sílabas, sobre as capitais do Brasil e do mundo, sobre as moedas, sobre os coletivos... Era fácil, anos depois, acertar na hora das avaliações escolares. Sim, isso aconteceu! Em 1984, numa prova de português, primeira série, uma das questões solicitava a citação de conjunções. Bastou recordar a música das classes gramaticais.

Um dos maiores orgulhos de meu pai era eu saber recitar as capitais do Brasil aos 4 anos, a ponto de mandar uma carta com esse “achado” para Sílvio Santos. Ele não hesitava em pedir para eu cantar a música das capitais para uma platéia, ou a colocar-me em provas de fogo, respondendo as capitais quando me perguntavam. Mas Tio Ednaldo, em Aracaju, passou vergonha, pois me deu um branco na hora que um amigo seu perguntou algumas capitais. Ele passou uns cinco anos lembrando-me do vexame dele.

Saturday, May 26, 2007

1980


Primeira visita de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, ao Brasil.

As lembranças começam a ficar mais nítidas: mamãe me leva no colo; com a outra mão, uma sacola com alimentos não-perecíveis. Descemos a ladeira de São Gonçalo para pegar um ônibus em direção ao Rio. Vamos ver o Papa!

Tinha 3 anos, mas me lembro de estar nos braços. Havia a noite e a multidão.

* * *

Acho que foi o ano que me perdi na praia. Edmo e eu corríamos numa grande extensão de areia. Ele com pouco mais de um ano; eu já somando três anos. Num dado instante, ele volta. Eu prossigo em frente, correndo e chorando por estar perdido. Fui resgatado por papai com o auxílio do Edmo, que mostrou onde eu me encontrava.

1 x 0 para Edmo!

* * *

Mudança de ares. Saímos do Rio de Janeiro e fomos morar no interior do Ceará.

Crateús era tórrida. Sertão. Azul sem fim no céu e muita caatinga na terra. Árvores espinhosas. E uma piscina no Círculo Militar cheia de água! Paradoxal!

Crateús me viu aprender a nadar e andar de bicicleta. Mas havia uma ordem. Primeiro, Edmo, o caçula, ousava; ele caía da bicicleta, e se lançava na piscina, e aprendia a nadar e a pedalar antes de mim. Então eu, com meus brios feridos, quase num assomo de raiva, caía da bicicleta várias vezes, e me arremessava na piscina, e aprendia a nadar e a pedalar.

2 x 0 para Edmo!

1979


Poucas lembranças desse ano...

Acho que é de 1979 a imagem mais antiga que tenho de uma igreja: nos braços de meu pai, quase cochilando, admirava os vitrais do templo.


As sementes do catolicismo estavam lançadas.

1978


Meu passatempo, segundo meus pais, era rolar escada abaixo!

Stayin’ Alive, dos Bee Gees, estava onipresente. Eram os embalos do meu segundo ano.

E alguém surge para dividir meu reinado. Em 11 de dezembro, nasce Edmo Acioli.

Devia ser 97. Ele chegou ansioso, preocupado. Tinha sido convocado para tocar e cantar de última hora numa missa. “Seu sucesso é o meu sucesso; seu fracasso é o meu fracasso”, eu lhe disse. E chamei uns amigos para cantar conosco. No final, sucesso! E diante de um Edmo visivelmente comovido, que repetia a frase que eu tinha dito, brinquei dizendo que “só fui porque sabia que iria ser um sucesso”!
De 1978, contudo, não me lembro de quase nada. Só tinha um ano e cinco meses quando ele nasceu. Os anos por vir trariam as brincadeiras, as discussões, as chateações, a admiração recíproca, a amizade profunda e eterna.

1977


24 de maio de 2007: 30 DIAS para 30 ANOS!

É apenas um texto autista que, com muita sorte, terá dois, três leitores.

Texto que passeia pelos anos como se fossem dias, em contagem regressiva para os 30 anos.

Cristiane, uma grande amiga e 1/6 do Sexteto, diz que sou “simbólico”. Afinal, o que representa a chegada aos 30 anos? Muitos diriam que é apenas mais um aniversário.

Gostaria que este fosse o ano da revolução em minha vida.

A sensação é que perdi muito tempo nos últimos 10 anos, apesar dos Correios, apesar do Sexteto, apesar da Europa... Sinto-me um pouco medíocre e com a total responsabilidade de tomar as rédeas de meu presente para aprimorar o meu futuro.

Quero mudanças!

Quero chegar aos 40 anos melhor do que sou hoje. Quem sabe orbitando menos em torno do meu umbigo.

Quero ser mais paciente, menos estressado, mais engajado no tocante à saúde, mais estudioso, mais focado, mais disciplinado...

No fundo, no fundo, tudo isso é muito reconfortante: tenho bastante trabalho para os próximos 10 anos, se Deus assim permitir.

* * *

1977

“Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo,
Vós me tecestes no seio de minha mãe.”
Salmo 138,13

Já começa com pretensa filosofia!

Um milagre!

Sério! É um milagre estar hoje aqui, digitando.

Assim como é um milagre quem, agora, lê essas linhas! Por existir e por estar lendo essas linhas.

Numa feliz coincidência (Será?!), todas as condições estavam criadas para que estivéssemos vivos. E cá estamos!

E, se voltarmos um pouco no tempo, vemos que nossos pais terem nascido num determinado instante também foram milagres. Regredindo mais, chegamos aos nossos quatro avós e a quatro momentos distintos.

Loucura pouca? E se voltarmos ao começo do século passado ou final do século XIX? Encontraremos gente de outras terras que hesitou na hora de embarcar para o Brasil, mas que veio e conheceu um(a) antepassado(a) nosso(a) aqui. Ou os dois vieram juntos. Ou os dois já estavam aqui. Temos senhor de engenho que se envolveu com a escrava. E vice-versa! Temos jovens que, a despeito da educação rígida recebida ou dos tabus reinantes, cederam à paixão e... Eis mais antepassados nossos!
Um mau-humor, um estresse, um equívoco, uma indisposição e não estaríamos aqui – pretenso escritor e corajoso(a) leitor(a).

Quantas “coincidências” formam nossa história hoje?!
Milagres! Um pequeno deslize e não haveria um Edvo escrevendo. Um deslize e não haveria um paranóico contando os dias para seus 30 anos.