
O ano teve Paola, no Colégio Sensório. Ainda hoje tenho impressão de que foi uma das meninas mais bonitas que conheci! E tínhamos, Paola e eu, entre seis, sete anos!
Foi o ano do único furto de minha vida! Cem cruzeiros ou um saquinho de pipoca que um colega compraria, se não tivesse sido furtado. Queria aquela pipoca também!
– O colégio dá lanche pra vocês – dizia papai. Não comam porcaria!
Dava mesmo: biscoito e leite. Nada se comparava à pipoca amanteigada do carrinho em frente ao colégio.
Então, furtei!
Ninguém desconfiava de mim. Todos procuravam o lalau. Eu, nervoso, corri para o playground e enterrei a nota na areia.
Foi a última vez que a vi.
Foi um ano de traumas no campo emocional: declarei-me a três meninas em momentos diversos naquele primeiro semestre de 1984. As três choraram. Revoltante: quando outro piscava ou dizia gracejos, elas riam.
Até que – felicidade! – a mais bonita das três me puxa para um canto! O coração disparou. Relembrei o primeiro beijo, roubado um ano antes.
Ela me chamou a um canto e, sussurrando, pediu para... Que eu comprasse uma pipoca pra ela, pois seus pais tinham-na proibido de comer porcaria!
Ah, tá!
* * *
Não sei por qual motivo, no Educandário São Vicente de Paula, uma pequena multidão cercou a mim a ao meu irmão, ambos sentados no meio do pátio. Discutiam qual dos dois era o mais bonito, de qual cada um gostava mais, etc. Estranho!
Quando falou com a direção sobre a mudança de colégio, papai disse que a freira lamentou o fato de nós dois deixarmos o Educandário.
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1ª Série! Primeira nota 10,0! Provei o gostinho de tirar 10,0 e... Aprovei! Festa na escola com a professora. Festa em casa com meus pais. Ganhei uns trocados e comprei o primeiro pacote da Elma Chips de minha vida, com salgadinhos sortidos!
No final do ano, fui o primeiro da turma. Em 08 de dezembro, fiz a Primeira Comunhão. O presente de meu pai foi o terceiro disco do Balão Mágico. Na dedicatória, o desenho de um pódio e a frase “Para sempre o primeiro”.